XaD CAMOMILA

Mostrando postagens com marcador Dilma 2010. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dilma 2010. Mostrar todas as postagens

8 de janeiro de 2011

....superar estereótipo é primeiro passo para reduzir preconceito....


Posse de Dilma deve impulsionar luta pela eliminação do preconceito de gênero. Onda de comentários sobre mulher de vice mostra que tarefa não será fácil.

por Marcelo Semer*

"Dia primeiro de janeiro de 2011, o país assistiu a cena até então inédita: uma mulher recebendo a faixa de presidente da República e passando em revista as tropas militares.

Enquanto o Brasil parava para ouvir o discurso de Dilma, parte dos twitteiros que acompanhavam plugados à cerimônia, se deliciava fazendo comentários irônicos e maldosos sobre a primeira vice-dama, Marcela Temer. 

Loira, jovem e ex-miss, a esposa de Michel Temer virou imediatamente um trending topic.

Foi chamada de paquita, diminuída a seus atributos físicos e acusada de dar o golpe do baú no marido poderoso e provecto. Tudo baseado na consolidação de um enorme estereótipo: diante da diferença de idade que supera quatro décadas e uma distância descomunal de poder, influência e cultura, só poderia mesmo haver interesses. 

Essa é uma pequena mostra do quanto Dilma deve sofrer para romper as barreiras atávicas do preconceito de gênero, ainda impregnadas na sociedade. 

Se não fosse justamente pela superação dos estereótipos, aliás, Dilma jamais teria chegado aonde chegou. 

Mulher. Divorciada. Guerrilheira. Ex-prisioneira. Quem diria que seria eleita para ser a chefe das Forças Armadas? 

Superar estereótipos é o primeiro passo para romper preconceitos.

O exemplo de Lula mostrou, todavia, como sua tarefa não será fácil. 

O país aprendeu a conviver com a sapiência de um iletrado retirante, mas os preconceitos regionais e o ódio de classe não se esvaziaram tão facilmente. A avalanche das "mensagens assassinas", twitteiros implorando por um "atirador de elite" na posse, só comprova o resultado alcançado pelo terrorismo eleitoral. 

Dilma sabe dos obstáculos a vencer e é por este motivo que iniciou seu discurso enfatizando o caráter histórico do momento que o país vivia, fazendo-se de exemplo para "que todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher". 

Em dois discursos recheados de assertivas e recados, não faltou uma lembrança emocionada a seus companheiros de luta contra a ditadura, que tombaram pelo caminho.

Mais tarde, receberia pessoalmente suas ex-colegas de prisão. Não esqueceu das "adversidades mais extremas infligidas a quem teve a ousadia de enfrentar o arbítrio". Não se arrependeu da luta, justificando-se nas palavras de Guimarães Rosa: a vida sempre nos cobra coragem. 

Mas, mulher, adverte Dilma, não é só coragem, é também carinho. 

É essa mulher, misto de coragem e carinho, que seu exemplo espera libertar do jugo de uma perene discriminação. 

Discriminação que torna desiguais as oportunidades do mercado de trabalho, que funda a ideia de submissão, e que avoluma diariamente vítimas de violência doméstica, encontradas nos registros de agressões corriqueiras e no longo histórico de crimes ditos passionais, movidos na verdade por demonstrações explícitas de poder, orgulho e vaidade masculinas. 

Temos um longo caminho pela frente na construção da igualdade de gênero. 

Nossos tribunais de justiça são predominantemente masculinos, porque os cargos de juiz foram explícita ou implicitamente interditados às mulheres durante décadas. Houve quem justificasse o fato com as intempéries da menstruação e quem estipulasse que professora era o limite máximo para a vida profissional da mulher. 

Nas guerras ou ditaduras, as mulheres além dos suplícios dos derrotados, ainda sofrem com freqüência violências sexuais, que simbolicamente representam a submissão que a vitória militar quer afirmar. 

Mulheres são maioria nas visitas semanais de presos. Mas quando elas próprias são encarceradas, as filas nas penitenciárias se esvaziam. Com muito sofrimento e demora, sua luta é para garantir os direitos já conferidos a presos homens. 

Sem esquecer as incontáveis mulheres de triplas jornadas, discriminadas pela condição quase servil de dona de casa, que se obrigam a cumular com suas tarefas profissionais e maternas. 

Que a posse de Dilma ilumine esse horizonte ainda lúgubre de preconceito, no qual os estereótipos da mulher burra, submissa e instável, predominam na sociedade. 

E que, enfim, possamos aprender, com as mulheres, a respeitar sua igualdade e suas diferenças.

Pois, como ensina Boaventura de Sousa Santos, elas, mais do que ninguém podem dizer: "Temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza. Temos o direito a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza". 

Façamos, assim, de 2011, um ano mulher."

* Juiz de Direito em São Paulo


Fonte: Sem Juízo, por Marcelo Semer: ....superar estereótipo é primeiro passo para reduzir preconceito....

1 de janeiro de 2011

Dilma, o discurso e o poeta




“(...) Queridas brasileiras e queridos brasileiros, dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor.
Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.
Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”

É com esta coragem que vou governar o Brasil. Mas mulher não é só coragem. É carinho também. Carinho que dedico a minha filha e ao meu neto. Carinho com que abraço a minha mãe que me acompanha e me abençoa.
É com este mesmo carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele – só a ele – dedicar os próximos anos da minha vida.
Que Deus abençoe o Brasil!
Que Deus abençoe a todos nós!”

Para acessar o discurso de posse da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional, CLIQUE AQUI.

Lula sai do governo nos braços do povo


Foto de Domingo Peixoto

Imagem histórica



Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro presidente operário e o mais popular da história do país, passa a faixa presidencial para Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente do Brasil.

Começa o governo Dilma: esperança e disputa de rumos

Editorial do site Vermelho:

"O Brasil inaugura hoje, com a posse da presidente Dilma Rousseff, o terceiro período presidencial dirigido pelas forças democráticas, progressistas e patrióticas em nossa história. É um acontecimento memorável. Desde o início da República, o país conheceu uma série de governos retrógrados, oligárquicos, entreguistas, alguns ditatoriais e fascistas que governaram a ferro e fogo, em nome dos interesses das classes dominantes.


Raras vezes, o país teve no período republicano governos com alguma tendência progressista. Estes, esbarrando no poderoso obstáculo representado pelas oligarquias latifundiárias, monopolistas, financeiras e aliadas do imperialismo, não conseguiram ir adiante. Durante o século 20 o país viveu agudos conflitos políticos, seja na República Velha, na Revolução de 1930, no período imediatamente posterior, no Estado Novo, na fase antecedente ao golpe de 1964, ao longo da vigência do regime militar, na Nova República e durante os governos neoliberais e conservadores dos anos 1990.


Houve momentos trágicos, como o suicídio de Vargas em 1954 e a deposição de João Goulart, em 1964. No embate político, as forças conservadoras, vassalas do imperialismo, sempre prevaleceram e o país conheceu longos períodos de atraso, estagnação e prostração ante os interesses oligárquicos e internacionais.


Daí a promissora novidade representada pelo atual período de avanços vivido pelo país que, como nunca antes em sua história, acumula ganhos no crescimento econômico juntamente com a distribuição de renda e o avanço social, uma receita inédita que está mudando o país em e levando-o ao rumo sempre preconizado, e nunca cumprido, de “país do futuro”, malgrado a permanência do domínio do capital monopolista e financeiro, de continuarem intactos os interesses da grande burguesia e dos latifundiários, da existência de lancinantes contradições sociais e de abissais desigualdades.


Desde 2003 o Brasil é governado por forças democráticas, patrióticas e progressistas e para o povo a sensação é de que o futuro é construido hoje e a conquista de suas aspirações históricas está ao alcance da mão. O Brasil tem tudo para continuar avançando e a expressão dessa convicção foi a recondução em outubro último do mesmo projeto político vitorioso com Lula, agora sob a direção de Dilma Rousseff, que se elegeu sob o lema de continuidade e avanço.


Este projeto, contudo, não é interpretado nem conduzido com unanimidade pelas forças que compõem o governo. Tal como ocorreu durante os oito anos de Lula, o governo Dilma será o terceiro governo progressista da história contemporânea e ao mesmo tempo o terceiro governo em disputa.


Não se trata de uma disputa apenas com a direita neoliberal e os conservadores que em 2002, 2006 e 2010 foram derrotados. O eixo da disputa situa-se também dentro do governo, com o choque de diferentes orientações e a busca de hegemonia pelas diferentes forças que o compõem. É uma disputa de natureza objetiva, com ares de fenômeno natural, decorrente da complexidade alcançada pelo capitalismo brasileiro, pelo protagonismo político e social de diferentes forças sociais antagônicas, mas que se aliaram em torno da busca do progresso nacional. São peculiaridades do processo político brasileiro e do estágio atual do desenvolvimento da luta de classes no país.


Mas a disputa existe, é real e quase sempre acirrada. Sua face mais visível é o embate que se dá em torno da política econômica opondo os setores desenvolvimentistas partidários do uso da força política e econômica do Estado nacional para impulsionar o crescimento econômico, à visão ortodoxa daqueles que, servos do capital monopolista-financeiro, defendem concepções monetaristas para manter o equilíbrio da economia. Daí os choques em torno do tamanho do superávit primário, das taxas de juros, da política cambial e do uso das reservas externas acumuladas pelo país. A defesa da chamada “austeridade fiscal” esbarra, aqui, na necessária ação do Estado na economia, seja na área de investimentos, na contratação de funcionários públicos para ampliar os serviços para a população etc. 


A disputa se manifesta também em outras áreas. Uma das mais polêmicas delas tem seu centro na área dos direitos humanos e envolve desde a anistia a perseguidos políticos (presos, exilados, torturados ou assassinados), a reparação dos prejuízos provocados pela repressão da ditadura militar, até a necessária e impositiva responsabilização e condenação dos agentes da repressão culpados por esses graves atentados contra os direitos humanos, e que ainda não ocorreu passados 25 anos desde o fim da ditadura militar. 


A forte reação contra a intenção do governo de aprovar um Plano Nacional dos Direitos Humanos e de criar uma Comissão Nacional da Verdade sobre as torturas e a intensa polêmica sobre a validade da extensão da Lei de Anistia aos torturadores, acentuou essa divergência e mostrou que, além dos oficiais militares remanescentes daquele período sombrio da história nacional, os setores sociais civis (particularmente das classes dominantes) que apoiaram a ditadura e se comprometeram com seus crimes de lesa-humanidade, ainda têm um poder de fogo significativo na sociedade brasileira que os torna capazes de continuar a influir sobre esta correção do passado, indispensável para a consolidação e fortalecimento da democracia.


Mas há outras agendas contraditórias que agora serão administradas por Dilma Rousseff. A adoção da jornada de trabalho semanal de 40 horas sem redução dos salários, o atendimento da reivindicação dos trabalhadores de eliminação das aberrações criadas por Fernando Henrique Cardoso em relação à aposentadoria, a luta pelo fim do fator previdenciário e contra as tentativas de aumentar a idade para a aposentadoria, fazem parte das bandeiras dos trabalhadores, dos sindicatos e das centrais sindicais que conflitam com os interesses empresariais representados dentro do governo e do Congresso Nacional.


A necessária reforma política para aprofundar a democracia e ampliar o protagonismo popular é outra agenda contraditória, opondo os democratas que querem uma legislação que assegure a representação das diferentes forças políticas nacionais, expressa na proporcionalidade dos votos, contra aqueles que querem medidas restritivas dessa representação e defendem diferentes modalidades de voto distrital, a volta da cláusula de barreira e outras medidas que limitam a fidelidade da expressão da vontade popular manifestada nas urnas.


Uma área extremamente sensível é a questão da democratização dos meios de comunicação. A própria demora na realização da Conferência Nacional de Comunicação, ocorrida no final de 2009, dá a medida do alcance da controvérsia e dos interesses que ela envolve. A grande mídia é, no Brasil, um setor acima das leis, além do bem e do mal. E todos os esforços no sentido da criação de uma legislação que assegure o amplo, e constitucional, direito à informação, e responsabilize os autores de crimes cometidos pelas páginas dos jornais e revistas ou pelo rádio e televisão, fracassaram devido à forte resistência dos oligarcas da mídia e seus representantes no governo e no Congresso Nacional. Esta é outra dívida democrática que exigirá um esforço do novo governo para ser resgatada.


Há outras reformas estruturais urgentes: agrária, urbana, tributária, educacional e do sistema de saúde.


Estes são apenas alguns temas entre os mais notáveis da pauta de conflitos que faz do governo Dilma, que se instala hoje, outro governo em disputa. Com uma diferença significativa: ao tomar posse em 2003 Lula encontrou um espólio de desagregação, fragilidade econômica e desmanche da máquina pública cujo enfrentamento limitou sua capacidade de resolver a contento estas questões polêmicas. No primeiro mandato, o presidente aplainou o caminho para a concretização daquilo que ele próprio havia apelidado de “espetáculo do crescimento” (que efetivamente ocorreu depois); no segundo mandato iniciou a correção de graves distorções econômicas e sociais e criou a base política que permite o avanço. Dilma, protagonista e continuadora daquele projeto, vai dar seguimento a ele em condições muito mais favoráveis.


A posse da nova presidente, carregada de simbolismo adicional, por ser a primeira mulher eleita pelo povo para o mais alto cargo do país, é momento de justificado regozijo nacional e reafirmação de esperança e confiança na força do povo e no presente e futuro venturoso do país. 


É igualmente legítimo que as forças democráticas e patrióticas mais avançadas e consequentes almejem a concretização de novas conquistas que superem as contradições e elevem o país a um novo e mais alto patamar de desenvolvimento econômico, social e democrático. Dilma pode fazer isso, suas convicções e sua história apontam nessa direção, e é isso que o país espera dela. 


Ao tomar posse, Dilma tem sob sua liderança uma nação e o povo que evoluiram politicamente, amadureceram sua consciência democrática e estão disponíveis para uma mobilização histórica em favor da realização de reformas estruturais que farão do Brasil uma grande nação democrática e progressista."

2 de novembro de 2010

A volta dos que não foram

Nos próximos dias, vou retomar a pauta do Xad Camomila, voltada para a divulgação dos meios alternativos de solução de conflitos, do trabalho desenvolvido no Setor de Conciliação e Mediação de Campinas e de outras questões relacionadas ao Judiciário, principalmente, no que se refere ao acesso à Justiça.

A militância digital pró-Dilma Rousseff que ocupou esse blog no 2o. turno da eleição presidencial foi motivada não apenas pela minha adesão ao projeto político defendido pela candidata, mas, também, pela necessidade de ajudar a combater a campanha caluniosa e difamatória (para dizer o mínimo) perpetrada contra ela por José Serra, campanha esta que invadiu emails (o meu, inclusive), rede sociais (twitter, facebook, orkut etc) e se alastrou pela internet com uma velocidade assustadora. 

Isso tudo somado ao empenho de toda a mídia golpista (leia-se: Globo, Folha, Estadão e revistas da Editora Abril) na campanha tucana, à rede de distribuição de panfletos apócrifos e, last but not least, ao "telemarketing do mal", suspenso pelo TSE poucos dias antes da eleição.  

Acho que nunca sofri tanto com uma eleição; nunca me engajei tanto. A batalha foi difícil e a vitória maravilhosa. Mas a luta continua!  

Agradeço aos que me acompanharam nas últimas semanas e dou as boas-vindas ao novos @migos! Aos que pararam de seguir o blog, só digo uma coisa: hasta la vista!

E vamo que vamo!

1 de novembro de 2010

Dilma presidente, quem ganhou foi o povo brasileiro



 
O grande vitorioso do pleito é o povo brasileiro, que rejeita o retrocesso neoliberal e aposta na continuidade e no aprofundamento do processo de mudança iniciado pelos governos Lula; abomina as privatizações e votou para que os lucros do petróleo do pré-sal sejam apropriados pela nação e não pelas transnacionais.

Ganharam os partidos de esquerda e de centro que integram a coligação Para o Brasil Continuar Mudando. Ganharam os movimentos sociais (as centrais sindicais, a UNE, o MST), ameaçados de criminalização pela direita demo-tucana. Ganharam os democratas e patriotas, que rejeitam o obscurantismo e defendem uma política externa altiva e soberana. Ganharam as mulheres, que pela primeira vez na história do Brasil terão uma representante na Presidência da República, numa vitória da luta secular pela igualdade.

Quem foi derrotado nesta eleição

A direita demo-tucana. O caráter direitista da coligação demo-tucana encabeçada por José Serra ficou patente no decorrer da campanha presidencial. Serra foi apoiado e assessorado pela TFP, organização de notória inspiração fascista; apelou ao discurso golpista contra a “república sindicalista” (usado pelos militares em 1964); estimulou a intolerância e o obscurantismo reacionário de setores religiosos, contra o aborto e o casamento homossexual; acenou com a privatização do pré-sal, a “flexibilização” (ou o fim) do Mercosul e o retorno da diplomacia do pés descalços, em troca do apoio das potências imperialistas.

A mídia golpista. Os meios de comunicação monopolizados por um minúsculo grupo de famílias capitalistas (Marinho, Civita, Frias e Mesquita) estão entre os grandes derrotados deste pleito. Com o destaque das Organizações Globo e da editora Abril, que transformou a revista Veja num mal disfarçado panfleto da campanha tucana, a mídia escancarou o apoio ao candidato da direita e em certo momento passou a ditar a agenda da campanha. Deixou cair a máscara do pluralismo e da imparcialidade. A verdade saiu arranhada nesta mídia. Apesar do segundo turno, o povo não se deixou enganar e impôs nova derrota à mídia, a terceira desde 2002. Tudo isto deve servir de lição ao novo governo, que pode pautar um debate mais sério e sereno sobre as propostas da Primeira Conferência Nacional da Comunicação (Confecon).

Setores reacionários da Igreja. Em outra prova de sua guinada à direita, José Serra se aliou aos setores mais reacionários e obscurantistas das igrejas, mobilizando padres, pastores e bispos para uma suja campanha contra Dilma, explorando de forma demagógica temas delicados como o aborto e a união civil de homossexuais. Até o papa entrou na baixaria, pregando contra “a candidata do aborto” na reta final do pleito. O Estado é laico, como afirmou Lula. O obscurantismo religioso não vingou, foi derrotado.

As transnacionais e o imperialismo. Na reta final da campanha, a revista The Economist e o jornal Financial Times, que tinham mantido prudente distância do pleito no primeiro turno, com a ressureição da possibilidade de vitória no segundo turno resolveram abrir o jogo e declarar apoio a Serra. Os dois veículos, porta-vozes do imperialismo anglo-americano, refletiram a opção e torcida do capital estrangeiro, esperançosos com as sinalizações de que o programa de privatizações seria retomado pelo tucano, que na reta final da campanha admitiu a privatização do pré-sal denunciada por Dilma Rousseff. Foram derrotados.
(Do Portal Vermelho).

LEIA TAMBÉM:

Íntegra do pronunciamento da presidente eleita Dilma


31.10.2010


Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui. Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida. Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

* Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
* Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
* Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.
* Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.
* Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões. O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família. É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro. Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos. Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público. Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo. Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas. Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde. Me comprometi também com a melhoria da segurança pública. Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos. Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade. É aquela que convive com o meio ambiente sem agredí-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa. Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.

Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho. Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado. Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo. Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união. União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.

Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada.

Via Dialógico: Íntegra do pronunciamento da presidente eleita Dilma

31 de outubro de 2010

Dilma's party

Com.... DilmaBoy:

José Serra, em conluio com o PIG (leia-se: Veja, Globo, Folha e Estadão), fez a campanha mais baixa, sórdida, fascista e mentirosa da história da política brasileira. Como bem disse o Azenha, "morreu no Halloween"; nada mais apropriado. E eu vou festejar!!!

DILMA ROUSSEFF: A PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE DO BRASIL


Em 2002, a esperança venceu o medo.
Em 2010, a verdade venceu a mentira.
É DILMA, É DILMA!!
Parabéns povo brasileiro!!
E vamo que vamo!!

Boca de urna do Ibope: Dilma 57%, Zé Pedágio 43%


30 de outubro de 2010

Pra cantar amanhã; no dia D; dia de eleger Dilma!

Fiscalização e assessoria jurídica no dia das eleições

A campanha de Dilma Rousseff está mobilizando voluntários para fiscalizar as zonas eleitorais em todo o país. Esse é um trabalho fundamental no dia da votação, pois ajuda a garantir o pleno exercício da nossa democracia. Quem tiver interesse em contribuir pode conferir no nosso mapa o telefone para contato em cada estado.

Outra ação fundamental no dia da votação é a assessoria jurídica. A nossa campanha dispõe de profissionais qualificados em todos os estados para prestar esse serviço. Eles estão disponíveis para receber denúncias e orientar eleitores.

Portanto, se você quiser ter certeza sobre algum procedimento no dia da eleição ou se deparar com alguma atividade ilegal - como boca de urna, telemarketing do mal, panfletos apócrifos, transporte de eleitores e compra de votos, entre outros -, entre em contato com o assessor jurídico no seu estado.
Cartilha

Uma cartilha com orientações e dicas, com o objetivo de servir de base para atuação dos militantes e fiscais, além de esclarecer dúvidas, foi especialmente elaborada pelos nossos assessores jurídicos. Clique aqui para baixá-la.

Confira no mapa os números de telefone de cada estado:


Visualizar Mapa de Contatos - Fiscalização e Denúncias em uma janela maior

Fonte: #dilmanarede

CNT/Sensus: Dilma 57.2%, Serra 42.8%


SAIBA+

♫ Deixa a Dilma me levar, Dilma leva eu ♫

Da importância do contradiscurso


 
Novos ou velhos fundamentalismos?

por Ivana Bentes*

"Não sei se são velhos fundamentalismos. Talvez interesse chamar a atenção hoje para as estratégias que foram mobilizadas para trazer hoje à discussão, para recolocar em pauta hoje, os velhos fundamentalismos.

Acho que a novidade, em termos de cultura de massa, é que nunca se discutiram abertamente no Brasil alguns desses temas trazidos por essa campanha eleitoral: o aborto, o Estado laico… São questões que se explicitaram, afinal, de um modo que permite ver como a emergência dessa pauta, de uma forma conservadora pode ser um ponto de partida extremamente positivo para reverter-se essa pauta – depois da eleição de Dilma.

Nesse sentido, me oponho um pouco ao hiperativismo pessimista do Guerón [risos], e já antecipo aqui o meu otimismo crítico.

Claro que é momento de tensão, as coisas ainda não estão definidas, mas vejo de forma positiva a emergência desses temas. Não, evidentemente, o modo como estão sendo trazidos e tratados. Quanto a isso, acho que as estratégias de mídia são decisivas e devem ser discutidas.

No primeiro turno, ainda tivemos alguma boa discussão da pauta política, sobre os avanços nos programas de políticas públicas. Tivemos alguma discussão política, sobre os programas implantados pelo governo Lula, Bolsa-Família e outros.

Mas o segundo turno – e é onde se vê que a questão da mídia é decisiva na pautação desses temas específicos e para pautá-los em alguns momentos, não em outros – foi pautado por uma ideia, por um slogan que esteve na base da campanha de Serra e foi a ideia sobre a qual trabalhou a empresa que fez a publicidade da campanha, segundo a qual, a nossa ‘marca’ seria “uma crise moral”.

Já que eles não conseguiram, na discussão dos programas, empurrar para um impasse o projeto político, o projeto de Brasil do governo Lula, restou a eles impor a pauta da tal “crise moral”, uma suposta crise moral, é claro. As questões ligadas aos Estado laico, ao aborto, aos direitos dos homossexuais entraram aí.

Todos esses direitos já estão de forma muito clara no Plano Nacional dos Direitos Humanos. E quando foram apresentados lá já criaram certa reação, mas, naquele momento esses temas não foram trazidos à tona, pela mídia. Agora, então, eles voltam àquele tema. A verdade é que essa reversão ao discurso moralista, centrada nos ‘bons costumes’, voltou, agora, associada à possibilidade de Dilma ser eleita.

Não citaram o Plano, mas ele apareceu algumas vezes, sempre oferecido como ‘prova’ de que não se trataria de discussões vazias, mas que, sim, esses ‘riscos’ existiriam, no caso de Dilma ser eleita. Assim ‘reativaram’ a tal ‘crise moral’.

De novidade, só, que, antes, havia o discurso moralista de direita, e ele agia, mas muita gente não assumia esse discurso moral de direita. As pessoas tinham vergonha, jornalistas, intelectuais, sociólogos, a classe média, não explicitavam seu discurso de direita. Agora, assumiram. Na mídia, chama muito a atenção: articulistas, jornalistas, sociólogos explicitaram um discurso de direita, há produção acadêmica, há toda uma universidade mobilizada para constituir um ideário conservador, de direita, que reivindica para si o direito de existir. Isso, antes, não estava explicitado e, agora, apareceu de modo muito claro.

Claro. Há a questão dos meios de comunicação tornados órgãos de publicidade de um só programa e de uma só campanha, de uma elite.

Mas a questão moral já havia aparecido na primeira eleição de Lula – questões morais, de ‘ética’, foram também um dos motes daquela eleição. Também lá se mobilizaram questões de ética, de moral, sempre usados como elementos para expor a ideia da ‘não-confiabilidade’ do governo Lula. E voltaram na segunda eleição de Lula e, agora, na eleição de Dilma. O argumento voltou, como voltou a coisa de o programa do governo Dilma ser igual ao dos governos Lula: os avanços estão aí, mas ela tampouco seria confiável.

E por aí se entrou numa argumentação, num discurso irracional, numa emocionalidade, numa irracionalidade, emocionalidade que é traço típico do discurso midiático. E isso acabou por mobilizar toda a campanha política.

Episódio exemplar desse movimento e da centralidade que ganhou na campanha é o dramático evento do ataque da “bolinha de papel”, que já apareceu ridicularizado até no Le Monde.

Paralelamente, aí também apareceu o contradiscurso forte, um ativismo forte, que faz oposição à mídia de massa e já existe nas redes sociais, Twitter, Facebook, e que conseguiram impor-se na discussão. Na segunda eleição de Lula, já havia a militância de resistência pela rede. Mas na eleição de Dilma, afinal, muito velozmente, os discursos da mídia puderam ser quase instantaneamente desconstruídos. Desconstruiu-se tudo, com ferramentas eficazes, muito velozmente. Logo que as primeiras imagens apareceram, viu-se pela internet a utilização da própria linguagem midiática para desconstruir o discurso da mídia, com detalhes, a forma da narração, construindo um contradiscurso, que utilizou a própria linguagem da mídia para desconstruir o discurso da mídia. As capas de Veja foram parodiadas, apresentadas como piada. Hoje há quatro ou cinco vídeos na internet, produzidos por jornalistas profissionais e também por amadores. Hoje, nas redes, as capas da Veja são antecipadas e antecipa-se também a linguagem da mídia, as estratégias da mídia. Isso é muito eficaz, embora seja ainda pouco e pequeno e, sim, me parece um ganho muito importante.

A própria Globo respondeu ao presidente Lula, embora sem citar o Twitter, às críticas que lhe fez o presidente Lula e lhe fizeram as redes sociais. Hoje, por exemplo, a manchete de O Globo é resposta à reação das redes sociais e reafirma a desqualificação moral do presidente e da candidata, sempre com adjetivos no campo do discurso moral, da não confiabilidade.

A desqualificação moral me parece ser esse último reduto ao qual regrediu a campanha e os discursos da mídia. Nesse campo, sim, me parece que as questões dos novos fundamentalismos que vamos discutir aqui, sim, me parecem importantes. São as questões mais polêmicas e que mexem com questões religiosas, os direitos da mulher, que têm a ver com o aborto e a vida, o casamento de homossexuais. São questões que arrastam todos para esse pântano que é o ‘a moral do outro’. Depois das intervenções dos outros aqui presentes, talvez possamos articular outras consequências disso tudo.

Pra terminar, vejo, sim, possibilidades extremamente positivas, tanto quanto vejo traços extremamente preocupantes, o que se viu nessa campanha.

Temos, sim, de discutir a ‘herança’ desse acirramento das questões morais, do ódio, da criação de tensões absolutamente maniqueístas no campo político, os efeitos de se fazer campanha de torcedor ‘hooligan’, muito dual, e na explicitação disso tudo.

Temos, para o futuro, uma pauta importantíssima a ser levada depois da eleição de Dilma."

* Em reunião e debate (e cervejada) na Livraria Moviola, RJ (21/10/2010)

Fonte: Viomundo

29 de outubro de 2010

Fala da Marilena Chauí em ato pró-Dilma Rousseff na USP. MORTAL!!

Parte 1

Parte 2

Parte 3

A Universidade contra José Serra

Do blog RS Urgente

Ato na USP, 25 de outubro/2010

"O Manifesto dos 5 mil, atualmente com quase 6.000 assinaturas de professores, postado no blog http://emdefesadaeducacao.wordpress.com/, comprova a rejeição a José Serra no âmbito da Universidade brasileira. Critica seu autoritarismo como governador, sua tentativa de revogar a relativa autonomia das Universidades Estaduais paulistas, o uso da força para resolver conflitos e o achatamento salarial, em época de recordes de arrecadação de impostos. Tais métodos estendem-se ao sistema de ensino fundamental e médio, cujo desempenho sofrível revela o fracasso da política educacional que, sob o comando de Paulo Renato, não esconde seu ímpeto privatizante.

Esse diagnóstico torna-se ainda mais desfavorável a José Serra quando comparado ao êxito da política educacional do governo Lula. Sob o comando do ministro Fernando Haddad expandiu-se o número de vagas e de Universidades Federais; institui-se o Prouni, modalidades de cotas e simplificação do crédito estudantil, possibilitando o inédito acesso à Universidade de estudantes oriundos das faixas mais pobres da população. Criaram-se mais de 150 escolas técnicas federais. O ensino fundamental e médio foi reforçado por verbas em escala nunca vista, o que possibilitou o estabelecimento de um piso salarial nacional de professores. Estes se tornaram ainda alvos de engenhosos programas de formação continuada.

O Manifesto também destaca que a campanha de José Serra “promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina a difamação manipulando dogmas religiosos”. (Leia a íntegra do artigo de Ricardo Musse)"

Estante do XAD


Blogs @migos

Blogs sujos & malvados