XaD CAMOMILA

1 de agosto de 2010

Justiça: o filme




Dia desses, ganhei o DVD do documetário “Justiça” (2004), de Maria Augusta Ramos. Eu já conhecia; tinha assistido na faculdade. Só que o esquema “veja-o-filme-discuta-com-os-colegas-traga-a-resenha-na-próxima-aula” deve ter embotado meus sentidos. Naquela época, ele só me causou desconforto, um certo mal-estar. Dessa vez, não. Senti o baque.

O filme mostra, com muita clareza, como se articulam as relações de poder na justiça criminal brasileira. A câmera parada, como se fosse um olhar neutro (quase ausente), registra a frieza do ambiente nas salas de audiência e o caráter ritualizado dos interrogatórios feitos pelos juízes aos réus, dentro do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Não há entrevistas nem depoimentos.

O documentário acompanha o julgamento de cinco casos. Situações corriqueiras, até consideradas naturais, acabam por se revelar completamente absurdas. Por exemplo, juízes que, durante as audiências, insistem na leitura de documentos com acusações e sentenças escritas em linguagem técnica. Ou seja, em linguagem impenetrável para o réu. O silêncio é brutal e, nesses casos em que o diálogo torna-se impossível, os jogos de olhares entre juízes, promotores, defensores e réus ganham relevo; trazem à cena "um traço de humanidade", uma filigrana de interação.       . 

Os longos corredores do tribunal, em cenário asséptico e iluminado, parecem indicar a alienação do sistema penal brasileiro. Um labirinto, sem saída.

“Justiça”. Revê-lo foi (re)descobri-lo. Impactante. Recomendo.

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