XaD CAMOMILA

18 de julho de 2010

Da Justiça à Democracia

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Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe, ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando (a Justiça). De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tenham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: Justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em técnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça quotidiana dos homens, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida e ao alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida sempre que a isso determinasse a lei, mas também, e, sobretudo, uma justiça em que se manifestasse, como um imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.
José Saramago

2 comentários :

Antônio César Bochenek disse...

este texto do saramago foi retirado de qual obra

cesarbochenek@hotmail.com

Ivana Lima Regis disse...

Tirei esse trecho de "Este mundo da injustiça globalizada", lido na cerimônia de encerramento do Fórum Social Mundial de 2002. Nele, Saramago expressa com clareza suas opiniões sobre as questões sociais, refletoras da economia e política do mundo capitalista. Dá um google que vc acha o texto.

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