XaD CAMOMILA

11 de janeiro de 2012

¿Transparência?

O desembargador Roberto Vallim Bellocchi, que presidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) entre 2008 e 2009, recebeu da corte mais de R$ 500 mil - "quinhentos e poucos mil reais", segundo ele - a título de verbas e créditos pagos com atraso. O dinheiro serviu para quitar "parcialmente dívida de imóvel e pendências bancárias". Ainda segundo ele, tudo foi feito com ampla transparência. "Se o motivo não fosse extraordinário, não era liberado o dinheiro", afirma, e desfia um rosário de situações que sensibilizaram o tribunal a autorizar desembolsos: "Desembargadores com problema de saúde, dívida bancária, que é natural, cirurgia, colega em dificuldades por alguma demanda, esses receberam." (íntegra dessa matéria, publicada no Estadão, aqui).


O problema é que, de TRANSPARÊNCIA, não teve nada! Do site da ASSOJURIS (Associação dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de São Paulo):


"Ao tomarmos conhecimento da noticia divulgada pelo jornal “O Estado de São Paulo” e pela revista “Veja” na (coluna de Reinaldo Azevedo) não poderíamos deixar de nos pronunciar a respeito, em especial se considerarmos que em 2009, 56 mil Servidores e suas respectivas famílias sequer tiveram a reposição da perda inflacionária em seus salários; ou seja, desde 2002, 2009 foi o único exercício que a administração do Tribunal de Justiça (desembargador Roberto Vallim Bellocchi) SE RECUSOU a repassar o reajuste (perda inflacionária) aos Servidores sob o argumento de inexistência de orçamento atribuindo à época os cortes realizados pelo Poder Executivo no orçamento do TJ-SP.

A matéria relata que somente ele, Vallim Bellocchi, recebeu “pouco mais de R$ 500 mil”Questiona-se: Será que os Servidores também não passaram naquele período por necessidades financeiras? Será que Servidores também não tiveram problemas de enfermidades envolvendo suas famílias?

A ASSOJURIS desde a constituição do CNJ vem denunciando suspeitas de pagamentos irregulares efetuados pelas ultimas administrações do Tribunal de Justiça de São Paulo aos magistrados e tudo isso em detrimento dos direitos trabalhistas da classe trabalhadora. Em momento algum estes gestores se preocuparam minimamente em adotar critério de equidade, simplesmente abandonaram quase que totalmente os direitos dos Servidores. Irrisórios créditos foram pagos a estes (Servidores) principalmente se considerarmos as verdadeiras fortunas destinadas aos magistrados e desembargadores. Conforme matérias recentemente veiculadas nos principais meios de comunicação (Folha de São Paulo e Conjur) e, em especial na data de hoje (O Estado de São Paulo e Veja - Coluna de Reinaldo Azevedo) noticiam vultuosos pagamentos feitos a desembargadores que estavam sendo investigados pelo Conselho Nacional de Justiça.

Para que todos tenham conhecimento, somente em 2009 a administração do desembargador Vallim Bellocchi pagou com verba destinada ao pessoal – Fonte Tesouro - a titulo de vencimentos atrasados e reembolso de férias a quantia de R$ 423.614.425,05 (Fonte: Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo), os quais certamente não foram direcionados para os Servidores, principalmente se considerarmos que em 2010 deflagrou-se a maior greve do Judiciário Paulista (127 dias - veja aqui) pautada, dentre outros, no descumprimento das datas base de 2009 (Vallim Bellocchi) e 2010 (Viana Santos)". (Continua...)

2 comentários :

claudia disse...

Mandou bem Ivana!!!
Este é o país das desigualdades, do desrespeito aos trabalhadores de todas as linhas de frente. Muitos com pouco, e poucos com muito.
Neste país, honestidade e transparência são quase utopia.
Creio que o seu chá de camomila, está fervendo e pondo "a boca no trombone". Vida longa a este blog lúcido, atualizado, coerente, que denuncia os disparates do judiciário neste país.
Abçs. extensivos aos seus . . .

Ivana Lima Regis disse...

Uau! Disse tudo, dra. Cláudia Alvim! Obrigada pelos elogios ao Xad - eu faço o que posso; faço porque acredito "que a vida pode e deve ser melhor". Lembrei de um texto, do Fernando Evangelista. Segue aí:

"Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural.

É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento.

É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.

É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder.

É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais.

O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move.

Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.

É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço.

À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes.

Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente.

Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.

Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos.

É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade.

É manter a coerência entre a palavra e a ação.

É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas.

Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente.


Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes.

Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo."


Um abraço bemmmm grande da sua amiga que, mal voltou da terrinha, já está com saudades.

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